quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Eclesiastes 3
Eclesiastes
3
“Precisamos ler a Bíblia ou não entenderemos
psicologia. Nossa psicologia, nossas vidas, nossa linguagem e imagens foram
construídas sobre a Bíblia” – JUNG, apud EDINGER, Bíblia e psique, p. 156.
“Quando uso, por exemplo, conhecimentos
históricos ou teologicos, não são mais considerados sob o ângulo da verdade
filosófica ou religiosa, mas examinados, no sentido de apurar o que comportam
de significação e de fundamentos psicológicos” - JUNG, C. G. Memórias, sonhos e
reflexões. p. 302.
Devo deixar que fale minha subjetividade
emocional, dizendo aquilo que sinto quando leio determinados livros da Sagrada
Escritura ou me recordo de certas impressões que recebi dos ensinamentos de
nossa fé – JUNG, Resposta a Jó, § 559.
“O caminho da vida só continua onde está o
fluxo natural. Mas nenhuma energia é produzida onde não houver tensão entre
contrários; por isso, é preciso encontrar o oposto da atitude consciente. É
interessante verificar como essa compensação dos opostos também teve sua função
na história da teoria da neurose: a teoria de Freud representa Eros; a de
Adler, o poder. Pela lógica, o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros,
Phobos (o medo). Mas, psicologicamente é a vontade de poder. Onde impera o
amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o
amor. Um é a sombra do outro. Quem se encontrar do ponto de vista de Eros
procura o contrário, que o compensa, na vontade de poder. Mas quem põe a tônica
no poder, compensa-o com Eros. Visto do ponto de vista unilateral da atitude
consciente, a sombra é uma parte inferior da personalidade. Por isso, é
reprimida, devido a uma intensa resistência. Mas o que é reprimido tem que se
tornar consciente para que se produza a tensão entre os contrários, sem o que a
continuação do movimento é impossível. A consciência está em cima, digamos
assim, e a sombra embaixo. E como o que está em cima sempre tende para baixo, e
o quente para o frio, assim todo consciente procura, talvez sem perceber, o seu
oposto inconsciente, sem o qual está condenado à estagnação, à obstrução, ou à
petrificação. É no oposto que se acende a chama da vida” – JUNG, C. G.
Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1978, p. 45-46.
Assim vejo o texto de Eclesiastes 3: vivemos
sob forte tensão de opostos da atitude consciente; mas, são opostos que se
complementam – é a experiência constante do vice-versa, e isto se faz através
da capacidade de simbolização que todos nós temos: se há nascimento, então é
preciso tomar consciência da morte; se algo foi plantado, algo precisa ser
arrancado; se algo morreu, o que é que precisa ser curado; se algo foi
destruído, então o inconsciente elabora a construção de algo novo; se você está
chorando, o sorriso vai chegar; se há tristeza, é para você pular de alegria
depois que as coisas melhorarem; se é preciso jogar fora, não pense em
acumular, mas se é preciso guardar, não jogue fora; etc.
Há tempo para: cuidado, medo, dúvida, força,
ternura, espanto, alegria, encanto, surpresa, determinação, espera, dedicação,
ruptura.
Susto pela visita do inesperado. Só uma
certeza: acabou!
A vida adquire uma face que parecia não
existia.
A vida pode ter uma face ruim, por que ela
possui uma face boa.
É o tempo de gestar e parir o lado desimportante
da vida.
Quantas vezes temos visões que nunca se
transformaram em realidade?
Quantas fantasias passam por nossas cabeças
e só têm como consequência provocar emoções?
Quantas intuições negativas não são
confirmadas?
O que foi – irremediavelmente, irreparavelmente,
insuportavelmente - separado, perdido, colhido, destruído, lamentado, ficou
triste, desconstruído, abandonado, perdido, jogado fora, rasgado, calado,
odiado, armado?
Olhamos para algo e queremos que não exista.
Não há consolo que consola. Nada distrai.
Não há alívio fácil. Não existe ajuda que nos faça esquecer. Só precisa-se
encontrar algum sentido para o quê aconteceu.
E, quando um desejo que quase nunca é
atendido, é atendido?
Desejos que não eram para serem cumpridos,
mas se cumprem?
A tarefa é então buscar, encontrar algum
sentido para o que se perdeu.
Mas, qual o sentido? Do que aconteceu? Não!
De estar em paz para continuar vivendo, sem
o que não existe mais.
Caminhar em direção ao sentido, e não ao
nada, ao vazio.
Às vezes, não é possível encontrar o caminho
sozinho, por isso precisamos do outro.
Não, o outro não substituirá, mas poderá nos
levar a ver que algo está além, para continuar a ser o que é, não para
permanecer, mas transformar.
O sentido está em dar um novo formato e
conteúdo às experiências que nos lançam no vazio. Não há substitutos. Não é
possível fazer trocas. Trocar não é alcançar, buscar ou encontrar sentido,
porque o que perdeu é uma realidade em si, e nada nem ninguém é suficiente para
anular a ausência.
O tempo é a forma da vida apresentar-nos
seus mistérios, alguns se revelam, outros conseguimos entender, mas tudo
permanece um mistério. Até o que é bom, é mistério.
Há coisas que podem ser mudadas, outras não,
mas podemos aceitar, porque são maiores e imutáveis.
Isto é verdade, porque o tempo nos faz olhar
dentro. O tempo é a vivencia interna, e às vezes esta é tão ou mais intensa que
a externa, e às vezes são tão ou mais intensas.
O sentido é adquirido quando a vida adquire
o senso do divisor de águas. Quando as referências e as buscas se transformam
profundamente a partir dos acontecimentos.
É ser uma pessoa sem abraço, cuidado, força,
ternura, alegria, encanto, surpresa, determinação, dedicação – mas, que busca
solucionar esse enigma que chamamos tempo.
Ambigüidades, mas que precisamos
integrá-las. É preciso precaução com a fantasia da onipotência; tomar
consciência das fragilidades, impotências e desamparos inerentes à condição
humana, que há limites e por isso tudo pode ser perdoado. Em nada somos prediletos
para sermos poupados ou exigirmos que sejamos poupados do que precisa acabar.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Crer e duvidar ao mesmo tempo, produz mentes e corações brilhantes
"A religião judaica é construída, sobretudo, sobre dúvida: nossos maiores heróis bíblicos profetas jamais tinham certeza de nada e não hesitavam em discutir com todos, até com o próprio Deus. Desde Abraão, que discutiu com Deus sobre a destruição de Sodoma e Gomorra, a Jonas, que havia recusado a promessa de Deus de que ele diria as suas profecias, o judaísmo permite acreditar e duvidar ao mesmo tempo. Sinto que a identidade israelense é muito menos ambígua que isso, sendo muito mais segura e menos reflexiva sobre qualquer de seus dilemas. Sinto que Israel só tem a ganhar se reconectar com uma tradição que, ao ser capaz de pensar tanto da maneira convencional como fora dela, conseguiu produzir, entre muitas outras, mentes tão grandes como Einstein, Freud e Marx" - Etgar Keret, autor de De repente uma batida na porta (Rocco, 2014). (Jornal O Estado de São Paulo - 12.07.14, C3).
sábado, 15 de fevereiro de 2014
A verdadeira adoração em espírito e em verdade
"Temo-nos tornado participantes da vida divina, e temos de assumir uma nova responsabilidade para com o Self, que se exprime a si próprio na empreitada da nossa individuação. A individuação não significa que o homem se tem tornado verdadeiramente humano como distinto do animal, porém que ele está para tornar-se também, parcialmente divino. Isso praticamente significa que ele se torna adulto, responsável pela sua existência, sabendo que não só depende de Deus, mas que Deus também depende do homem. a relação entre o homem e Deus provavelmente tem de passar por uma certa mudança importante, em vez de propiciar louvores a um rei imprevisível ou prece de criança a um pai amoroso, a vida responsável e o cumprimento da vontade divina em nós serão a nossa forma de adoração para com Deus, e de comunicação com Ele. Sua bondade significa graça e luz, e seu lado escuro, a terrível tentação do poder. Embora a encarnação divina seja um acontecimento cósmico, ela só se manifesta empiricamente naqueles poucos indivíduos relativamente capazes de consciência o bastante para tomar decisões éticas, isto é, de se decidirem pelo bem. Portanto, Deus pode ser chamado de bom apenas porque Ele é capaz de manifestar sua bondade nas pessoas. Sua qualidade moral depende das pessoas. Eis o motivo porque Ele encarna. A individuação e a existência individual são indispensáveis para a transformação de Deus, o Criador" (EDINGER, E. O encontro com o Self. São Paulo: Cultrix, 1991, p.92).
domingo, 5 de janeiro de 2014
Apesar de não fazer nenhuma citação a C. G. Jung, o texto elaborado a partir de uma mensagem bíblica, nos leva a refletir simbolicamente sobre o mesmo. Procure ler o texto bíblico indicado, para compreender melhor a reflexão, que tem um sentido religioso mas, especialmente, psicológico, bastante pertinente ao contexto contemporâneo. Boa leitura!
Is. 55.1-13
“A minha Palavra produz o fruto que desejo e sempre traz o resultado que determinei”, conforme o profeta Isaías 55.11.
A Palavra de Deus interfere no mundo, ou seja, ela produz algum efeito.
Graças a ação da Palavra de Deus em você, deve sair de dentro de você um mundo melhor para se viver. Quando você é influenciado por ela, sua vida é alterada e a dos outros, também.
As condições humanas podem ser até desfavoráveis, como as que viviam o povo de Israel. O contexto histórico era adverso a qualquer esperança de que a Palavra de Deus pudesse provocar alguma mudança, visto estarem sob o terrível domínio babilônico.
Isaías se dirige aos que serviam como escravos oprimidos pelo medo da morte e sem esperança de sobreviver e voltar à sua terra, e afirma: “onde há espinheiros, haverá ciprestes; onde há mato bravo, nascerão murtas”, ou em outras palavras: “por piores que sejam as condições de vida, a Palavra de Deus realizará em vocês as Suas promessas”.
Ele fala de algo que todos conheciam: “assim como a água da chuva e a neve que caem do céu e para lá não voltam, sem que antes provoquem crescimento às plantações e produza frutos para o sustento dos homens, assim também acontece com a Palavra de Deus”.
Para o profeta a Palavra de Deus é gera: confiança, otimismo, esperança, direção para a vida, isto é, alimento.
Mesmo que onde você vive seja terrível – “espinheiro e mato bravo”, ou seja, ainda que tudo pareça ruim, mesmo assim confie, espere, acredite, mantenha sua fé na Palavra de Deus praticando-a, pois em algum momento ela produzirá os benefícios que promete, você verá “plantações para o sustento do mundo”.
Por isso, o apóstolo Paulo, diz: “os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de manifestar-se em vós” –Romanos 8.18 – leia Romanos 8.18-25.
Nossos dias são como o dia do nascimento de uma criança, que ao nascer causa dor, desconforto, sofrimento à mãe, porém, depois que nasce, a dor é esquecida e deixa a todos, felizes e alegres.
Para o Apóstolo – “temos em nós as primícias do Espírito” – vs. 23, isto é, você com a semente da Palavra de Deus pode transformar todo o mundo ao seu redor, mesmo “gemendo”, mas com “paciência”.
A Palavra de Deus, então, incumbe você de uma responsabilidade: viver segundo a presença do Espírito Santo, para que o mundo seja transformado. Você é chamado a transformar o mundo e, isto acontece à medida que o Espírito Santo, que você tem em nosso interior, age através de você.
O mundo pode ser melhor ou pior, dependendo de como você resolve viver. O que você faz de bom para os outros, reflete em todos.
A Parábola do Semeador nos fala daquilo que acontece com você e com o mundo, dependendo de como você acolhe e pratica a Palavra de Deus – Marcos 4.3-20.
Pode ocorrer nada: o mundo permanecer do mesmo modo como antes, pois as aves do céu comem a semente; que o mundo só tenha espinho e mato bravo, para todos morrerem de fome, que significa: violência, ódio, ansiedade e medo.
Pode a situação piorar: o entusiasmo leva as pessoas a acreditarem que tudo vai ser diferente, tudo vai melhorar como num passe de mágica, mas as provações chegam para que as pessoas se firmem e não desistem, mas o entusiasmo só deixa uma vaga lembrança, e como não deixa raízes para que fiquemos firmes apesar de tudo, o mundo piora mais, pois as provações geram angústia e escândalos, que significa: gente que acha que a Palavra de Deus não serve para nada, e podemos fazer de nossa vida o que quisermos.
Contudo, pode haver promoção de vida e bem-estar. Praticar a Palavra de Deus produz muitos frutos: de uma semente nasce 100, de outra, 60 e, de outra, 30, quer dizer, de você: “o espinho vira cipreste, e o mato dá espaço para a murta”.
Medite um pouco mais:
Lembre-se que você já foi um faminto de pão macio e
nutritivo, mas quando você se alimentou da
Palavra de Deus, ela saciou a sua fome.
Lembre-se que você tem o melhor alimento
a dar para os outros: amor e bondade.
Lembre-se que o poder sobre os outros
não alimenta, só estimula a continuarem em
seus maus caminhos, e a não deixarem os maus pensamentos,
porque os deixa com raiva e ódio.
Deus quer que você mostre aos outros a Sua grande misericórdia
e o Seu imenso perdão a todos os pecados.
Lembre-se que a maneira de Deus agir é muito
diferente da sua, e que você precisa aprender
a agir da maneira Dele.
Lembre-se que a Palavra de Deus produz
o fruto que Ele deseja e sempre traz
o resultado que determinou.
Lembre-se que a Palavra de Deus que você
carrega dentro de você é como a água da chuva e
como uma semente pronta para alterar a sua vida,
e a das pessoas que vivem com você.
Você, pela prática da Palavra de Deus pode fazer
as pessoas mais alegres, e viverem em paz,
porque ela faz você ser uma pessoa alegre, e em paz.
Você, pela Palavra de Deus pode encher
o mundo de música e de alimento,
porque ela inspira músicas e danças e fortalece a sua vida.
Você, pela Palavra de Deus pode arrancar
espinheiros, quer dizer, tornar a vida menos difícil e
mais enfeitada, porque se não fosse a Palavra de Deus
a sua vida seria muito embaraçosa, e deformada.
Você, pela Palavra de Deus pode cortar
mato bravo, quer dizer, fazer a vida produzir coisas boas,
e ser mais segura, porque se não fosse a Palavra de Deus
a sua vida seria infrutífera, e sujeita a ataques.
Lembre-se: este é o milagre que o mundo espera que aconteça, que a sua vida seja alterada pela Palavra de Deus,
e isto “trará glória ao nome do Senhor,
e será uma lembrança eterna do poder e amor de Deus”.
domingo, 26 de maio de 2013
Substâncias químicas e religião
A experiência com substâncias químicas que levam a um tipo de experiência religiosa me chama a atenção que se trata de uma abertura à dimensão espiritual, um meio de vivenciar a "função transcendente", conforme a psicologia analítica de C. G. Jung, mas que pode ser fruída sem nenhuma substância, pois esta pode levar a um contato com o absurdo, que é parecida com a do absoluto, com a qual devemos tomar cuidados, e não é necessária, ainda que pareça que nos leve a perceber a sua realidade.
O mais importante disso tudo é que tal "função" é algo interno, e não externo, não vem de fora para dentro, mas se quisermos que permaneça, precisamos vivenciá-la de dentro para fora.
Parece-me que se trata de uma experiência com a "psique" e da "psique", pois só através da alma é que podemos estabelecer que Deus age sobre nós, daí a conclusão de que passamos por alguma alteração em alguns de seus valores de vida.
Jung afirma: "Pode ocorrer facilmente que um cristão que acredita em todas as figuras sagradas seja ainda subdesenvolvido e imoto no mais profundo de sua alma porque ele tem 'Deus todo do lado de fora' e não o experienta na alma. Seus motivos decisivos, seus interesses e impulsos dominantes não vêm da esfera da cristandade, mas da psique inconsciente e subdesenvolvida, que é tão pagã e arcaica como sempre... Sua alma está fora de compasso com suas crenças externas... Sim, tudo deve ser encontrado fora - em imagem e em palavra, na Igreja e na Bíblia -, mas nunca dentro" (Psicologia e Alquimia, par. 11-12).
Para a religião institucionalizada é uma experiência reprovável, mas o mais importante é que se tratou de uma descoberta que, provavelmente, a Igreja não favorece, devido a manutenção de um casulo vazio, de onde, há muito tempo, a "borboleta" já saiu.
Talvez pela primeira vez,percebamos que a relação com Deus é subjetiva e pessoal, e para que esta provoque as alterações que sentimos como necessidades em nossa história pessoal não precisa ser intermediada por nada, nem pela religião institucional, nem também por alguma substância química.
Não é fácil manter esta experiência pessoal à salvo da força dogmática presente no âmbito religioso, e também, acadêmico. É necessário um esforço moral na sua preservação e cultivo, pois se trata de uma "descoberta" de que Deus é imanente, e encarnado em nossa natureza, e não "Totalmente Outro" como afirmam as religiões.
"Jung concluiu que Deus age fora do inconsciente e força os seres humanos a harmonizar as influências opostas às quais a mente é exposta pelo inconsciente. O inconsciente quer cair na consciência para alcançar a luz. E ele afirmou que, buscando a unidade, podemos sempre contar com a ajuda de Deus" (Dyer, D. R. Pensamentos de Jung sobre Deus. p. 70).
Esta opinião de Dyer é muito importante: Deus nos ajuda a conciliar inconsciente e consciência, pois só assim podemos perceber que Deus está dentro de nós, e nunca esteve fora, ou como afirma Jung: 'Deus se torna manifesto no ato humano da reflexão".
Por isso, e muito mais, fique em paz, transforme o acontecimento de ter experimentado o chá em experiência de vida que pode levá-la a uma necessária transformação de valores, que só você sabe que verdadeira e realmente, precisa.
domingo, 21 de abril de 2013
O amor é o melhor substituto da hostilidade
Atos 14 – A atmosfera
hostil vivenciada pelos primeiros cristãos não foi motivo para desistirem, nem
desanimarem. Antes, eles se fortaleciam e se encorajavam mutuamente.
Qual o segredo deles? O que fazia deles cristãos fortes, unidos e
corajosos, apesar de tantas dificuldades?
1. A consciência
de que Deus os dirigia – Sl. 145.9, 14 e Ap. 21.3: “O Senhor é bom para todos”;
“O Senhor sustém os que vacilam e apruma todos os prostrados”; “Eis o
tabernáculo de Deus com os homens. Deus habita com eles. Eles serão povos de
Deus e Deus mesmo estará com eles”.
2. A mão de Deus
nos guia e é Ele quem realiza todas as coisas em nós – Sl. 145.10, 11; Ap.
21.5: “Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos
filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da
majestade do teu reino”; “Eis que faço novas todas as coisas”.
3. A porta está
aberta a todos – Sl. 145.4, 6, 7; Ap. 21.4: “Uma geração anunciará os teus
poderosos feitos a outra geração”; “Falar-se-á do poder dos teus feitos
tremendos”; “divulgarão a memória da tua muita bondade”; “Deus lhes enxuga dos
olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto,
nem dor, porque as primeiras coisas passaram”
4. Eles tinham
uma mensagem: “mostrar a todos que através de muitas tribulações, nos importa
entrar no Reino de Deus” – At. 14.22
João 13.31 – nos conta que
o próprio Jesus não desistiu nem desanimou de enfrentar as tribulações, antes
Ele se manteve firme em Sua missão, porque trazia consigo o Reino de Deus, e
este valia mais que suas próprias vidas, apesar de todas as adversidades.
Ele, também, tinha a consciência de que Deus O dirigia; a mão de Deus O
guiava e era Ele quem realiza todas as coisas através dEle; que a porta está
aberta a todos; e tinha uma mensagem: “assim como eu vos amei, amem uns aos
outros. Nisto conhecerão, todos, que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns
aos outros”
Os feitos do Senhor devem ser nossa maior atenção;
A memória da Sua muita bondade é a nossa força;
E, ainda que vacilemos Ele nos sustenta, ainda que fiquemos prostrados,
Ele nos apruma, nos põe de pé.
Quantas vezes já passamos por isso? Mas, temos que passar para outras
pessoas esta experiência. Se não passamos é porque talvez estejamos
insatisfeitos com o que Ele nos faz.
A hostilidade não é impedimento para nos amarmos.
O amor é o melhor substituto da hostilidade.
A cada dia que passa aumenta a “tentação de manter contato imediato e
ininterrupto com a vida lá fora, para saber notícias de todos os cantos. (...)
(é) sempre mais importante o lugar onde não se está. (...) dificuldade de as
pessoas viverem a solidão, o recolhimento (...)”
“Os meios de comunicação estão a penetrar cada instante da vida, passando a ser
difícil se manter alheio ao que sucede naquele instante nos recantos da Terra
ou no círculo de amigos. A comunicação contínua transforma cada qual em
consumidor viciado de informações, passivamente dominado pela necessidade
premente de receber e enviar mensagens, de falar ao celular, de visualizar enquanto
almoça ou janta o écran da televisão (...) Brota a sofreguidão pelo recém
ocorrido, de que se é inteirado de imediato, sem espaço para reflexão ou a
dúvida”.
“A consequência está na perda da individualidade diante do predomínio do
coletivo graças à massificação da informação contínua, que formata sem juízos
críticos uma mentalidade única, com distinções apenas tênues. A avassaladora
prevalência do coletivo, no entanto, não proporciona o espírito comunitário, a
solidariedade entre os homens, cada vez mais exclusivistas. Curiosamente, surge
um individualismo sem individualidade: as pessoas restam sem identidade”.
“A existência transcorre sem se formularem juízos de valor, sem imaginação,
pois predominam o que se vê e os juízos de fato, por se afastar a construção de
hipóteses. (...) substitui-se a qualidade das experiências pela quantidade das
experiências”.
“Passa-se, então, a fazer parte da opinião púbica, que não consiste na opinião
de todos nem da maioria, mas a opinião construída pela mídia, especialmente
rádio e televisão, que seleciona as matérias a serem veiculadas e, o mais
importante, escolha a forma como elas serão veiculadas. Decidem os editores a
tonalidade e os acentos a serem dados à notícia, sempre em busca do que efetivamente
conta: o aumento da audiência”.
“Formata-se, dessa maneira, um consenso artificial, uma opinião coletiva
recepcionada sem questionamentos e sem avaliações. Imperceptivelmente, as
pessoas são cada vez mais escravas dos meios de comunicação, ainda por cima com
a internet, pois precisam deles, se alimentam deles, sentem-se órfãs ao estarem
desconectadas. Vive-se com a mídia e pela mídia. Viver é estar plugado”.
“(...) a nova cultura é a cultura da virtualidade real, em que predomina a
televisão, esse meio frio de comunicação que se dirige a uma audiência
preguiçosa, a um telespectador presidido pela lei do mínimo esforço, sem
resistências em face do que lhe é transmitido. A televisão, devendo alcançar e
satisfazer o maior número de pessoas, faz na programação um corte por baixo e
define um raso denominador comum. Dessa maneira, ao buscar entreter, vale criar
alarma, emocionar, estimular os aspecto sensoriais, facilmente apreensíveis, e
apenas com raras exceções valorizar o senso crítico, a imaginação e a
reflexão”.
“Dá-se a mundialização dos costumes ao se uniformizarem comportamentos
difundidos pelos meios de comunicação, do rádio à internet, em vista do que se
enfraquecem a influência e a importância dos emissores seculares de valores e
de ideais como a religião e as ideologias políticas”.
“Cabe uma revolta do homem contra os dominadores insidiosos, para impedir a
invasão constante de nossos domínios de exclusividade”.
“Defensores da imaginação silenciosa, uni-vos”.
(Texto
de Miguel Reale Júnior – Advogado, professor titular da Faculdade de Direito da
USP, membro da Academia Paulista de Letras. Foi ministro da Justiça. Artigo:
Haydin ou BlackBerry – Jornal O Estado de São Paulo, 01.05.2010, A-2).
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Vale sofrer por Cristo
“Se regozijaram
por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” – At. 5.41
Os primeiros cristãos eram admirados pelos seus contemporâneos porque
eram capazes de obedecer a Deus até às últimas consequências.
Eles obedeciam por que:
Valorizavam sua história religiosa: “O Deus de nossos pais” – eles se
valiam da sua herança espiritual.
A história para eles era importante, pois indicava-lhes que não estavam
seguindo uma novidade, mas algo que já fazia parte do seu repertório de vida.
Em Romanos 9.4-5 – Paulo nos chama a atenção para a grande riqueza
espiritual, que a Igreja recebeu do judaísmo, e que agora faz parte do grande
acervo da vida cristã: “Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças,
a legislação, o culto e as promessas, deles são os patriarcas, e também deles
descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo
o sempre. Amém!”
Estes cristãos reconheciam que estavam diante do novo e suas vidas se
abriram e tiveram que se encaixar ao novo: “O Deus de nossos pais, ressuscitou
a Jesus”.
Não existia pensamento mais revolucionário, até então.
O mesmo Deus que indicava Sua verdade de maneira simbólica, agora a
cumpre literalmente, de modo a não deixar dúvidas em seus corações, pois eles
haviam visto com os olhos e apalparam com as mãos e O reconheceram, isto é, não
se tratava de uma miragem, mas lhes era real.
“O Deus de nossos pais, ressuscitou a Jesus” – era a vivificação da fé
antiga que durante milhares de anos, animou o coração de todos os judeus. Nada
podia ser comparado a esta mensagem que anunciavam.
“O Deus de nossos pais, ressuscitou a Jesus” – esta era a mensagem que
dava vida nova àqueles primeiros cristãos, a ponto deles não medirem esforços
para servirem a este Deus, que era o mesmo, que já conheciam.
Ainda que fossem açoitados e recebessem ordem para não viverem esta
experiência de fé, para eles era motivo mais que suficiente para se
regozijarem, porque os açoites davam a eles a certeza de serem filhos de Deus e
isto aumentava sua autoestima: “regozijavam por terem sido considerados dignos
de sofrer por esse Nome”.
Considerar-se digno de sofrer – é não desistir, nem desanimar, diante
das dificuldades, por ser mais importante obedecer a Deus do que aos homens.
Quando resolvemos obedecer a Deus, logo enfrentamos dificuldades:
em pessoas, que
se opõem ao nosso estilo de vida, de servir a Cristo, em tudo;
ao enfrentar
tendências pessoais próprias do ego que não quer abrir mão de certos padrões de
comportamento, ou de pensamento, porque nos dão certo conforto, e assim achamos
que estamos evitando sofrer.
Nos acostumamos tanto a sermos como estamos que achamos que em nada
podemos, nem precisamos alterar em nossa vida.
E, então, sofrer afrontas pelo Nome de Jesus é deixado para os mais
religiosos, para aqueles que querem levar a vida religiosa mais profunda, e
assim nos esquecemos que cada cristão é chamado para sofrer.
Jesus diz: “Quem quiser ser meu discípulo, todos os dias, tome a sua
cruz, negue-se a si mesmo, e viva como Eu vivi”.
O discípulo verdadeiro não desiste e não se desanima, antes, ao
contrário, as dificuldades que têm para tomar a cruz, que é carregar o peso do
egoísmo e de confrontar-se com todos aqueles que tentam impedir que agrade a
Deus que o ama, são compreendidos como motivos que o faz digno de sofrer pelo
nome do seu Salvador.
Em que nos vemos dignos? Isto é, em que temos motivos para nos alegrar e
regozijar? Qual deve ser o nosso prêmio como cristãos?
Em Mateus 5.11-12 – encontramos palavras que nos falam de que podemos
ser repreendidos por sermos cristãos, quer dizer por vivermos como pessoas
espirituais, isto é, quando vivenciamos mais os valores interiores da presença
de Deus em nossa alma, do que quando agirmos como “velhos homens”, isto é,
quando vivenciamos as práticas mais baixas da nossa natureza humana.
Podemos nos regozijar bastante, quando somos afrontados, porque isto é
sinal de que somos dignos para sofrer o mesmo que nosso Senhor sofreu.
O salmista registra no Salmo 30.5 – que ele era digno de sofrer
afrontas, pois estas duram apenas um momento, enquanto que a alegria,
interpretada, por ele, como o favor do Senhor, “o Seu favor dura a vida
inteira”.
Na linguagem poética, o salmista expressa que “ao anoitecer, o choro
pode chegar para passar uma noite”, quer dizer, o choro, as afrontas e as
dificuldades, nós as temos para passarmos por elas, durante um período, mas
assim que o sol se levanta, elas terminam, o choro cessa, por mais doloroso que
ele seja.
Assim, Jesus levou a Pedro a considerar-se digno de sofrer pelo Seu Nome
- João 21. 15-17 – sofrer afrontas por Jesus é sinal de amor.
É como se Jesus dissesse: “Pedro, você demonstra que me ama de verdade,
quando você não desiste de me seguir, como você fez quando me negou diante dos
homens. Pedro me amar é me seguir até o fim, sem desanimar. E quem faz assim,
pode se considerar digno de sofrer, por Mim”.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Páscoa
Um dos discípulos não acredita no que vê. Seus
olhos só enxergavam os lençóis e o lenço que havia sido colocado sobre a cabeça
de Jesus.
Porém, o outro discípulo, “viu e creu” – João 20.8.
Duas atitudes sobre um mesmo fato.
Todavia, o texto de Atos 10.34-43, nos indica que é
possível mudar de opinião – o apóstolo Pedro que não havia acreditado que Jesus
havia ressuscitado, naquela manhã, passa a anunciar: “a este ressuscitou Deus
no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto” vs. 40. Pedro anuncia que era
uma das testemunhas da ressurreição de Jesus, ao romano Cornélio, apresentado
como “homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação
judaica” – vs. 22, como que querendo dizer, que se Cornélio estivesse junto ao
túmulo vazio, naquela manhã de domingo, ele creria, assim como João, o “outro
discípulo” – João 20.4,5.
A vida de Pedro, realmente, foi transformada depois
que creu.
O texto nos deixa a entender que aquele que crê
passa logo a comunicar a fé, para todas as pessoas, indiscriminada e
livremente, pois “reconhece, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas
(...) por meio do nome de Jesus, todo aquele que nele crê recebe remissão de
pecados” – Atos 10.34.
De fato, a transformação na vida de Pedro foi muito
grande!
Anuncia a um romano que Deus tem a mesma disposição
que teve para com ele – se Deus perdoa os pecados de todo aquele que crê em
Jesus, mesmo daquele que não acreditou de imediato, apesar de ver os sinais da
Sua ausência, também, de um romano que creu nAquele que “andou por toda parte,
fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” – vs. 38; e, isto sendo
anunciado pelo judeu Pedro, demonstra o quanto sua visão de vida sofrera
transformação.
Pedro poderia ter levado Cornélio a se sentir
culpado pela crucificação de Jesus, pois como centurião romano obedecia a
ordens do governador de Roma que reinava em Israel, e que teve participação
direta no julgamento e condenação de Jesus à morte.
No entanto, Pedro apela a Cornélio que considerasse
que Jesus fora “pendurado no madeiro”, porque andou por toda a parte fazendo o
bem.
Pedro levou Cornélio a enxergar os sinais de Jesus,
assim como vira os lençóis e o lenço no sepulcro, e não havia se lembrado do
bem que Jesus havia feito, e que tantas vezes ele havia presenciado.
A ressurreição de Jesus transformou o judeu Pedro,
o que o levou a aprender a fazer o bem ao romano Cornélio, deixando de lado o
seu orgulho, o seu egoísmo, o seu sentimento de se ver grande e melhor do que
os outros.
Fazer o bem aos outros, é sinal de que acreditamos
no Jesus que não está no túmulo.
Afinal, é esta a mensagem de Paulo aos coríntios –
I Coríntios 5.6-8 – “Não é boa a vossa jactância” – Paulo vê que a arrogância é
o grande empecilho para celebrar a festa da Páscoa.
O Apóstolo Paulo compara a arrogância ao fermento,
que por mínima quantidade que seja, pode fazer com que a pessoa se sinta tão
superior aos demais que não percebe que não é ela que se justifica dos seus
pecados, mas sim “Cristo, nosso Cordeiro Pascal, imolado” – vs. 7.
E, ensina a “lançar fora (...) o fermento da
maldade e da malícia”, antes “celebremos a festa com os asmos da sinceridade e
da verdade” – vs. 8.
Os “asmos da sinceridade e da verdade” precisam
comidos por nós mesmos, quer dizer, sermos sinceros e verdadeiros para conosco
mesmos, para percebermos o quanto somos tão imperfeitos quanto aqueles que
julgamos e condenamos.
Só quem é sincero e verdadeiro consigo mesmo, sabe
o quanto é importante fazer o bem aos outros, e principalmente àqueles
considerados inferiores aos seus olhos, porém, para Deus não é diferente,
antes, recebe dEle o mesmo amor e perdão, pois do contrário não poderíamos crer
nEle.
O texto de João 20.1.9 nos apresenta pessoas que se
formos arrogantes, facilmente as consideramos inferiores a nós: Maria Madalena
prostituta convertida, Pedro um iletrado, João um pescador.
Os três são apontados pelo texto bíblico como
“ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele
dentre os mortos” – vs. 9.
Maria Madalena, diante do túmulo aberto, disse:
“Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram”;
Pedro e João correram juntos, e diante do mesmo
cenário, têm reações tão diferentes: um vê e crê, o outro só vê, e procura
entender, mas não entende, e os dois voltam para casa, e Madalena “permanece
junto à entrada do túmulo, chorando. Viu Jesus em pé, mas não reconheceu que
era Jesus, suponha ser Ele o jardineiro” – vs. 10, 11, 14, 15.
Dá para ver o quanto somos parecidos com eles?
Perguntemo-nos: considerando as grosseiras e
públicas fraquezas de Maria Madalena, Pedro e João, teriam eles chances de
ganharem a nossa aproximação, e amizade?
Espero que sim, pois compartilhamos da mesma
natureza humana deles; e se eles podem, eu também posso, e você também pode se
aproximar e ser amigo de quem quer que seja.
A pressa de compreender as coisas nos prejudica.
Queremos que tudo seja explicado - não toleramos
dúvidas, porque temos medo de nos sentir inferiores aos outros.
Quanta preocupação com as certezas, só para nos
sentirmos melhor que os outros!
Como pode o “conhecimento” nos deixar tão cheio de
nós mesmos! E, onde fica: “Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em
qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável”?
Quem deve julgar se o que é feito pelos outros é
justo ou não, aceitável ou não, é Deus, pois Ele é o único que pode julgar!
Quem somos nós para julgar?
A nós nos cabe comer o pão da sinceridade e da
verdade conosco mesmos.
Maria Madalena, Pedro e João, se alimentavam deste
pão, principalmente depois de terem se convertido ao Senhor.
E, você, tem comido deste pão?
Lembre-se de se alimentar do “Cordeiro Pascal” –
Jesus morreu para que os seus pecados fossem perdoados, e para que os pecados
dos outros, também fossem perdoados.
O “Cordeiro Pascal” é alimento para todas as
pessoas, que se veem necessitadas do perdão de Deus, porque se percebem
imperfeitas, grosseiras, baixas, incapazes de acertar sempre.
“Celebremos a festa não com o velho fermento, nem
com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da
verdade” – I Coríntios 5.8.
Aprofundemos ainda mais o sentido destas palavras:
Não estariam elas nos desafiando a passar diariamente pela experiência da
Ressurreição?
“Celebrar a festa não com o velho fermento”,
significa, diariamente, transformar
a falta de educação em ternura, a insatisfação em contentamento, a mentira em
verdade, a dissimulação em honestidade, a maldade em caridade, a opressão em
liberdade, a indiferença em solidariedade.
“Celebrar a festa não com o fermento da maldade e da malícia”, significa
que diariamente precisamos transformar a nossa sede por recompensas em reflexão,
de cinismo em vergonha, de perseguições em acolhimento, de exploração em
amizade, de moralismos em tolerância, de preconceito em convivência, de
discriminação em intercessão, de maledicência em bem-dizer.
“Celebrar a festa não com o velho fermento”, também significa se
empenhar de fazer da melancolia, prazer; da inveja, alegria; da morbidez,
beleza; daquilo que é trágico, em utopias; das perdas, conquistas; da altivez,
humildade; da arrogância, simplicidade; da ambição, igualdade; do consumismo,
sentido de vida; das exigências aos outros, autocrítica.
“Celebrar a festa com os asmos da sinceridade e da verdade”, significa,
entre outras coisas: transformar ocupação em lazer, extinção em preservação,
traição em diálogo, reducionismo em memorial, imediatismo em paciência,
iconografia em história, grotesco em cordialidade, fundamentalismos em
diversidades, sensacionalismo em conteúdo, midiático em bom-senso, corrupção em
temor, desigualdade em fraternidade, intolerância em paz, autoajuda em
sabedoria, técnica em proximidade, esoterismo em espiritualidade, enganos em
acertos, isolamento em pertencimento, ter em ser, descartável em permanência,
alienação em consciência, banalização em valores, magia em espera, igreja em
religião/espiritualidade, relativismo em padrão ético, morte em vida.
“Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de
fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado.” –
I Coríntios 5.7 – Nisto está o sentido da Páscoa experimentado por Pedro,
Cornélio, Paulo, Maria Madalena, João, os coríntios – eles se transformaram em
“nova massa”.
Oxalá, eu e você, também!
Boa Páscoa!
sábado, 9 de março de 2013
O êxodo do Egito e o Filho pródigo: mais que semelhanças
Lucas 15.1-3, 11-32 – nos conta a Parábola do Pai que gastou todo seu amor ao filho que
retornou à sua casa; mas, pode ser entendida como uma ilustração do povo de
Israel que saiu do Egito e chegou à terra da Canaã.
1. O filho em
terra distante, na qual padeceu fome e sofreu necessidades – vs. 13-14, ilustra
o povo de Israel que no Egito passou por grandes necessidades;
2. Na terra
distante, um dos cidadãos daquela terra, mandou o rapaz, guardar os porcos –
trabalho humilhante, realizado apenas por escravos – vs. 15, isto é muito
semelhante à vergonha ultrajante da escravidão que Israel sofreu no Egito;
3. Aquele filho
não recebeu nada dos habitantes da terra, ilustra muito bem o tratamento
recebido por Israel, durante os 400 anos que vivera no Egito;
4. Sua oração –
vs. 17-19, ilustra o clamor dos filhos de Israel, que gemiam e clamavam devido
ao sofrimento;
5. No vs. 20, diz
que o moço levantou-se e foi para seu pai, representa a imagem da saída do povo
do Egito e seu retorno à terra de Canaã;
6. O vs. 20 ainda
nos diz: “Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele,
correndo o abraçou, e beijou” – é como se Jesus se referisse às atitudes
tomadas por Deus ao libertar o Seu povo do Egito, levando-o à terra que mana
leite e mel, que simboliza o seu abraço e beijo, seu cuidado amoroso, atendendo
cada uma das suas necessidades;
7. Os vs. 22-24,
faz referência ao Pai que providenciou ao filho - “a melhor roupa, pôs em seu
dedo um anel e calçou-o com sandálias, mandou matar o novilho cevado e o
comeram e, regozijaram-se porque seu filho que estava morto, reviveu, que
estava perdido, foi achado”, ilustrando ao que lemos em Josué 5.9 – “Hoje,
removi de vós o opróbrio do Egito”. Assim como fez o pai ao seu filho, Deus
também pôs fim às necessidades do povo de Israel: de escravos passaram a ter
uma condição digna de vida; de humilhados passaram a ser o centro de todas as
atenções – o povo-filho foi resgatado.
O novilho cevado
que o filho comeu naquele dia em companhia do pai foi a páscoa que os filhos de
Israel comeram quando saíram do Egito. E, o regozijo do pai pelo retorno à sua
casa do seu filho mais novo, ilustra bastante bem, que depois que os filhos de
Israel chegaram à sua terra de Canaã, comeram lá das suas novidades;
8. Mas, e o filho
mais velho, que estivera no campo e ao aproximar-se da casa, ouviu a música e
as danças, e ficou indignado e não quis entrar, além de responder ao pai, que
ele sim, o servia a tantos anos sem jamais ter desobedecido uma ordem sequer,
enquanto que ele estava desperdiçando seus bens com alguém, seu irmão, que não
merecia nada, é semelhante a quê? – vs. 25-30.
1. Se refere às
nossas atitudes, pois apesar de Deus ter feito tudo por nós, ainda assim
vivemos como se estivéssemos no Egito;
2. Ilustra nossa
atitude, de apesar sabermos que Deus ouve nossos clamores, ainda assim não
clamamos por Ele;
3. Fala a
respeito de nossa atitude, que apesar de Deus tomar as providências, às vezes
as mais espantosas, para nos livrar de nossas necessidades, ainda assim achamos
que é pouco e, que mereceríamos que Ele fizesse algo maior do que tem feito, só
porque somos nós, enquanto que para os outros, Deus é melhor do que para nós;
4. Se refere à
nossa atitude, de permanecermos no lugar que estamos, e de não querermos nos
levantar e ir ao encontro do Pai, e assim mesmo, querendo que aconteça um
êxodo, uma mudança de vida, porém desde que tudo continue da mesma maneira,
porque nos acostumamos ou nos adaptamos tanto ao estado que nos encontramos que
não queremos voltar ao Pai, porque para o êxodo acontecer, temos de mudar
interiormente, e qualquer mudança interior a entendemos como desconfortável,
que segundo a parábola trata-se do “cair em si”. E, nos recusamos a “cair em
si”, e ficamos indiferentes à nossa situação espiritual ainda que continuemos
gemendo e gritando de fome;
5. Ilustra,
ainda, nossa atitude para com o próprio Deus, que mesmo tendo apressadamente
tomado todas as providências, e todos os dias se compadece de nós, corre ao
nosso encontro, abraça-nos e beija-nos, e ainda assim, O desprezamos, achando
que merecíamos muito mais; que o que Ele faz é muito pouco, então, por que dar
tudo para um Deus que faz tão pouco?;
6. Fala a
respeito de nossa atitude quando não percebemos que o maná, que era o alimento
provisório, é substituído pelas novidades da terra de Canaã, isto é, vivemos
como se as coisas antigas ainda não tivessem passado, que Deus continua nos
tratando segundo nossas transgressões, e não segundo a reconciliação que
resolveu fazer conosco, nos tratar como filhos, não mais como escravos. Isto
significa que, às vezes, nos relacionamos com Deus mais por medo que por amor,
ao invés de gozarmos plenamente a liberdade de leis, regras e preceitos, que
nos massacram e tiram nossa alegria, porque nos impõe medo e pavor;
7. Se refere à
nossa ingratidão para com Deus que nos ama mesmo quando não cumprimos Suas
ordens, pois Ele não estabelece condição alguma para nos amar, ao contrário,
nós sim que estabelecemos condições para Ele nos amar;
8. Contudo, a
parábola nos propõe que nos identifiquemos com o filho mais novo, pois nós
também somos como ele:
1. Assim como
ele, precisamos aprender que as situações que nos fazem sofrer e gemer são
precisamente aquelas que nós mesmos criamos, devido às nossas fraquezas, pois
carregamos em nós o “cidadão que nos manda guardar seus porcos”, e isto significa
que precisamos nos conscientizar que não passam de “porcos” as fraquezas que
nos humilham, mas que precisam de nossa atenção e cuidado, pois se
negligenciarmos nossas fraquezas, nós morremos;
2. Apesar de ser
muito humilhante assumirmos que temos “fraquezas”, é melhor assumirmos esta
condição, e apresentarmos cada uma delas, em clamor e gritos Àquele que segundo
o Salmo 34:
livra-nos de
todos os nossos temores – vs. 4;
ouve nosso clamor
aflito e nos livra das tribulações – vs. 6, 17;
tem Seus olhos
voltados para nós e ouvidos estão abertos ao nosso clamor – vs. 15;
mesmo que as
aflições sejam muitas, de todas Ele nos livra – vs. 19;
nosso Deus nos
resgata nossa alma – vs. 21;
3. O filho mais
novo viveu intensamente as palavras do Apóstolo Paulo – II Coríntios 5.17-21 –
ao voltar à casa do pai ele se reconciliou com seu pai, isto é, ele
experimentou uma alteração interior, já não era mais aquele que havia saído de
casa, passou a ser uma nova pessoa por dentro, “se alguém está em Cristo, é
nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”;
4. Por tudo que
passamos: sendo escravos do egoísmo, tão cheios de nós mesmos, temos de sentir
que precisamos experimentar uma mudança por dentro, para comermos as novidades
da terra de Canaã, da festa do Pai;
5. Precisamos
saber que enquanto permanecermos em nossa própria miséria, além de passarmos
fome, não há alguém que possa nos dar alguma coisa. Ou seja, se não tomarmos
uma atitude por nossa própria conta, ninguém fará por nós. Por melhores que
sejam nossos amigos, familiares, ou qualquer recurso que possamos ter:
dinheiro, prestígio, moral, sucesso, bens, confissão religiosa, etc, mas, se
não tivermos vontade para sairmos da situação que nos encontramos, escravizados
pelas nossas fraquezas, nada virá ao nosso encontro. Temos que “cair em nós
mesmos”, isto é, refletirmos, considerarmos sincera e seriamente nossa real
condição, e com vontade clamarmos a Deus que vem ao nosso encontro correndo,
com paciência, e nos recebe de braços abertos e quer nos beijar, porque nossa
estrutura é pó;
6. A mudança
interior que precisamos que aconteça em nós é nos entregarmos aos abraços e aos
beijos do Pai, isto é, vivermos plenamente a liberdade para a qual o Senhor nos
chamou. A liberdade não substitui a obediência, ao contrário, a liberdade para
a qual o Senhor nos chama a vivermos diariamente é para justamente não mais
ficarmos cultivando o pensamento dominado pelas nossas fraquezas, mas
confiarmos ao Seu amor, caso caiamos em nossas fraquezas;
7. A liberdade
não é para fazer com que o escravo faça o que bem entende, mas sim que pelo
cuidado amoroso que o Senhor dispensa a nós, nós O amemos, nos relacionemos com
Ele como filhos;
8. O filho não é
escravo. O escravo teme o seu senhor, o filho procura imitar o pai. O escravo
espera receber alguma coisa do seu senhor, o filho desfruta dos bens do pai,
porque é tudo dele. O escravo cumpre ordens, o filho se alegra com a presença
do pai que lhe diz: “Meu filho, tu sempre estás comigo”. O escravo sabe que
nunca será filho, o filho vive tranquilo e por isso pode se alegrar porque
ainda que saia de casa, ao voltar, continua filho, não perde jamais esta
condição e, portanto, mesmo sabendo disso, não deseja isso para sua vida,
porque seu pai é sua alegria e regozijo, nada pode substituir o abraço e o
beijo do pai;
9. Você é uma
“nova criatura”, isto é, você tem uma nova vida por dentro, quando você se
relaciona com o Pai, com liberdade e amor e não com temor e insegurança que nos
leva a querermos barganhar o seu amor, que nos dá com liberalidade incondicional.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Não tenha medo!
A Bíblia é grande e universal álbum de fotografias, isto é, as
Escrituras falam sobre nós para nós mesmos, somos nós mesmos nas fotografias. Não
são poucas as vezes que fazemos o mesmo que Abrão. Assim como Abrão, lamentamos
por situações que consideramos serem permanentes, pois não apreciamos o que já
possuímos, e queremos outras – “O Senhor falou com Abrão: Abrão, não tenha
medo. Eu defenderei você. E lhe darei muitas bênçãos. Ao que Abrão respondeu: Ó
Senhor Deus, de que benção está falando? Pois não tenho nenhum filho, e o meu
herdeiro é o meu servo Eliezer. Ele que não é da minha família, e que é
estrangeiro, de Damasco! Não tendo descendente, ou ele ou algum criado nascido
em minha casa herdará as riquezas que me dás!” (Gênesis 15.1-3 – Bíblia Viva)
A esta altura da história, Abrão ainda estava se dirigindo à terra que o
Senhor lhe havia prometido. Ele já havia saído de Ur dos caldeus, atualmente
Iraque, região próxima de Bagdá, onde fora chamado por Deus – Gn. 12.1.
Da cidade de Ur, Abrão acompanhado de seu sobrinho Ló, chegou ao Egito
pensando em “aí ficar”, porque passava fome em Ur, conforme Gn. 12.10; e,
combinou com Sarai, sua mulher, que ela deveria se comportar como se fosse sua
irmã e não esposa, porque temia que os egípcios o matassem, para ficar com ela.
Em certa ocasião ganhou presentes, graças a esta estratégia – “ovelhas, bois,
jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos” – Gn. 12.11-16; até aí, tudo
parecia indo muito bem com Abrão, “porém, o Senhor puniu Faraó e a sua casa com
grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão”, e eles foram expulsos do
Egito, por enganar a Faraó – Gn. 12.17-20.
Do Egito, Abrão e Ló partiram para Canaã, chegando pelo Sul, na região
do Neguebe – Gn. 13.1; vai para Betel, levando consigo toda sua riqueza – Gn.
13.2-4; e, lá se separa de Ló, que junto com sua família, toma a direção da
direita, o Oriente, porque observou que a terra era “bem regada” – Gn.
13.10-12; e, Abrão toma à esquerda, e recebe de Deus uma promessa: “Farei a tua
descendência como o pó da terra”, e foi morar próximo da cidade de Hebrom – Gn.
13.14-18.
O sobrinho Ló foi preso pelos reis das terras, para onde tinha ido, que
provaram mais uma vez que eram perversos e temidos por todos; Abrão ajudado
pelos habitantes de Hebrom, que já tinham se tornado seus amigos, libertaram
Ló, seus familiares e seus pertences – Gn. 14.1-17; quando Abrão conhece ao rei
Melquisedeque “sacerdote do Deus Altíssimo”, que o ajudou a se recuperar depois
da operação de resgate de seu sobrinho Ló, como forma de recompensa de ter
lutado e vencido os temidos reis daquelas terras – Gn. 14.18-24.
Por isso, o texto começa dizendo: “Depois destes acontecimentos...” –
Gn. 15.1.
Abrão não concorda com as palavras do Senhor – “Não tenha medo. Eu defenderei
você. E lhe darei muitas bênçãos” – Gn. 15.1.
Abrão reclama: “Estou sozinho no mundo, não tenho filhos”.
E, o Senhor interfere dizendo: “Não, não! Seu herdeiro não será Eliezer.
Você ainda será pai, e o seu filho herdará tudo que é seu” – Gn. 15.4 (Bíblia
Viva).
Abrão não enxergava o que Deus tinha preparado para ele. Deus o
preparava para muito mais do que sobreviver à fome, mais do que ser esperto e
conseguir enganar até os homens mais poderosos da terra, possuir grandes
riquezas e ser dono de grandes propriedades, vencer inimigos perversos.
Abrão estava sendo preparado para andar pela fé. Deus o coloca frente ao
céu aberto, cheio de estrelas, e diz: “Olhe para o céu: veja se é possível
contar as estrelas. Assim serão os teus descendentes. Tão numerosos que não poderão
ser contados” – Gn. 15.5.
Abrão precisava voltar a viver na dependência de Deus que o chamara
quando ainda estava em Ur. Parece que tinha se esquecido daquela experiência.
Diante de tantas experiências terrenas, onde havia ficado a sua
experiência religiosa? Era isto que Abrão precisava resgatar. E, Deus o leva
olhar para o céu.
Olhar para o céu não é fazer esquecer as coisas da terra, como se na
terra ele não mais estivesse; não é fechar os olhos para os desafios que ainda
viriam. Olhar para o céu é mudar o jeito de enxergar as coisas da terra; é
enfrentar os desafios com os olhos da alma.
Conosco acontece a mesma coisa: à medida que vamos tendo muitas
experiências, é muito fácil achar que viver é simplesmente passar por
experiências terrenas.
E, quanto à fé?
Qual o lugar que a fé ocupa em nosso dia a dia?
Abrão reclamava que não queria viver outras experiências semelhantes
àquelas que tinha vivido, com relação a ter de passar toda a sua riqueza a uma
pessoa que não fosse seu filho verdadeiro.
Conosco, também, toda vez que reclamos de alguma coisa da vida é porque
deixamos de viver pela fé e achamos que estamos aqui para enfrentar as situações,
ora fáceis, ora difíceis, e só.
Viver pela fé precisa se tornar um estilo de vida e não apenas um
momento, quando estamos sob o impacto da sua influência sobre nós; também
precisamos enfrentar os desafios olhando-os com os olhos da alma, ou olhando
para o céu.
Paulo adverte aos Filipenses 3.
17-4.1 – “Caros irmãos, há muitos que andam pela estrada cristã, mas na
realidade são inimigos da cruz de Cristo. O futuro deles é a perdição eterna,
pois seu deus é o apetite; eles têm orgulho daquilo que deveria envergonha-los;
e tudo o que eles pensam é nesta vida, aqui na terra. Mas a nossa pátria está
no céu, com o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Bíblia Viva).
Deus nos livra de sermos “inimigos da cruz de Cristo” toda vez que nos
chama a viver pela fé, e não segundo os padrões de vida que são admirados na
terra.
Abrão tinha tudo que muitos hoje entendem ser as coisas mais importantes
na vida: riquezas, esperteza para se sair bem das situações difíceis, amigos
que ajudam nas dificuldades, reconhecimento e admiração de pessoas importantes
pelas conquistas, mas faltava o mais importante – viver pela fé, conforme ele
já havia experimentado quando saiu de Ur.
E, você, como está vivendo?
Note que não é suficiente “andar na estrada cristã”, isto é, estar na
companhia daqueles que vivem pela fé, é preciso ter os seus passos no caminho
da fé; que é possível se orgulhar daquilo que deveríamos nos envergonhar, na
edição da Bíblia Revista e Atualizada - “se gloriar da infâmia”, isto é,
considerar que a vida é acumular experiências que tem valor apenas terreno, que
despertam o interesse dos outros, mas, que realmente não são valores
espirituais.
Para ser “amigo da cruz de Cristo”, é preciso viver pela fé, quer dizer,
deixar que os valores espirituais orientem e determinem a vida, para que esta
tenha o sentido ao qual ela foi criada.
O salmista registra isto nestas palavras: “Há uma coisa que realmente
desejo do Senhor; o privilégio de viver durante toda a minha vida na Sua
presença, para descobrir a cada dia um pouco mais da Sua perfeição e do Seu
amor. Quando eu estiver em dificuldades, Ele será a minha proteção. Ele me
esconderá em sua casa; Ele me colocará acima dos problemas, numa rocha firme.
Seja paciente e espere pela ação do Senhor. Seja valente e encha o seu coração
de coragem. Espere com confiança no Senhor!” – Salmo 27.4-5, 14 (Bíblia Viva).
Pedro, Tiago e João aprenderam isto com o Senhor Jesus. Diante do brilho
e da glória do Senhor, eles tinham de guardar a voz de Deus, que disse: “Este é
meu Filho, meu Escolhido, a quem vocês devem ouvir” – Lucas 9.28-36.
Daquela experiência dependia a vida deles, assim como Abrão dependia do
chamado do Senhor. Nada se comparava à voz do Senhor que falara a eles. Eles
tinham de manter vivo o mistério de Deus que tinham ouvido.
Quando mantemos vivo em nosso coração o mistério da fé, quer dizer,
quando nos valemos da fé como o bem mais precioso que temos nesta vida, podemos
ter como resultado, aquilo que Deus prevenira a Abrão: viver num país
estrangeiro, como escravo, e sofrer muito por causa disto, mas, o Senhor se
dirige a ele, e lhe diz: “quanto a você, sossegue!” – Gn. 15.13.
Conosco o mesmo se dá.
Por nos valermos da fé como o valor supremo para dirigirmos a nossa
vida, o mundo passa a ser um lugar estranho, nos sentimos escravos, isto é,
vivemos situações que não podemos alterar, e isto nos provocará muito
sofrimento, desconforto, porém, as palavras do Senhor a Abrão, nos servem:
“Quanto a você, sossegue!” Como que querendo dizer: Por que com você teria de
ser diferente? Aguente firme! Não desista! Mais importante do que tudo neste
mundo, é viver pela fé. Então, se volte ao mistério da fé para viver.
Sugestão: depois
das leituras bíblicas, ore:
Gênesis 15.1-3
Reconheçamos das vezes que não enxergamos a
Deus presente em nossa vida, com Sua proteção e tomando as providências para
mudar nossa vida. Reconheçamos das vezes que julgamos nossa vida de maneira
pessimista, olhando-a com desânimo e sem vontade de que alguma coisa boa
aconteça. Admitamos as vezes que não cremos naquilo que nos mostra aos olhos, e
ao coração.
Salmo 27
Não fiquemos assustados e paralisados com o
mal que somos capazes de fazer contra nós mesmos e contra nosso próximo, pois
Deus é a luz da nossa vida; o Salvador do nosso coração; para ficarmos em paz
em meio às batalhas que nosso pecado trava contra nós; para descobrirmos a cada
dia, um pouco mais do Seu amor; para nos colocar acima dos problemas que nossos
pecados promovem; para experimentarmos interiormente os efeitos da Sua voz
quando nos fala ao coração; para não voltar Suas costas para nós, mas nos
receber de frente; para não ficar zangado conosco, mas nos tratar com um
sorriso alegre; para não nos abandonar e se afastar de nós, mas nos acolher de
braços abertos e ficar mais perto de nós do que nossos pais; para nos ensinar
melhores caminhos; para orientar nossos passos. Deus nos perdoa porque nossos
pecados, são como inimigos: não se importam com nosso bem estar, nos odeiam
mortalmente, e nos acusam sem verdade alguma sobre nossa relação com Ele; para
Sua bondade triunfar sobre nossa maldade.
Filipenses 3.17-4.1
Lembremo-nos que temos exemplos a seguir,
mas também, de sermos exemplos para outras pessoas. Que sejamos levados a
buscarmos mais as coisas dos céus e não as da terra.
Lucas 9.28-36
Queremos ver a glória assim como Pedro, João
e Tiago viram naquele dia. Que a Palavra nos ilumine de tal modo que nosso coração
se entregue sem reservas.
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