"Temo-nos tornado participantes da vida divina, e temos de assumir uma nova responsabilidade para com o Self, que se exprime a si próprio na empreitada da nossa individuação. A individuação não significa que o homem se tem tornado verdadeiramente humano como distinto do animal, porém que ele está para tornar-se também, parcialmente divino. Isso praticamente significa que ele se torna adulto, responsável pela sua existência, sabendo que não só depende de Deus, mas que Deus também depende do homem. a relação entre o homem e Deus provavelmente tem de passar por uma certa mudança importante, em vez de propiciar louvores a um rei imprevisível ou prece de criança a um pai amoroso, a vida responsável e o cumprimento da vontade divina em nós serão a nossa forma de adoração para com Deus, e de comunicação com Ele. Sua bondade significa graça e luz, e seu lado escuro, a terrível tentação do poder. Embora a encarnação divina seja um acontecimento cósmico, ela só se manifesta empiricamente naqueles poucos indivíduos relativamente capazes de consciência o bastante para tomar decisões éticas, isto é, de se decidirem pelo bem. Portanto, Deus pode ser chamado de bom apenas porque Ele é capaz de manifestar sua bondade nas pessoas. Sua qualidade moral depende das pessoas. Eis o motivo porque Ele encarna. A individuação e a existência individual são indispensáveis para a transformação de Deus, o Criador" (EDINGER, E. O encontro com o Self. São Paulo: Cultrix, 1991, p.92).
sábado, 15 de fevereiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Apesar de não fazer nenhuma citação a C. G. Jung, o texto elaborado a partir de uma mensagem bíblica, nos leva a refletir simbolicamente sobre o mesmo. Procure ler o texto bíblico indicado, para compreender melhor a reflexão, que tem um sentido religioso mas, especialmente, psicológico, bastante pertinente ao contexto contemporâneo. Boa leitura!
Is. 55.1-13
“A minha Palavra produz o fruto que desejo e sempre traz o resultado que determinei”, conforme o profeta Isaías 55.11.
A Palavra de Deus interfere no mundo, ou seja, ela produz algum efeito.
Graças a ação da Palavra de Deus em você, deve sair de dentro de você um mundo melhor para se viver. Quando você é influenciado por ela, sua vida é alterada e a dos outros, também.
As condições humanas podem ser até desfavoráveis, como as que viviam o povo de Israel. O contexto histórico era adverso a qualquer esperança de que a Palavra de Deus pudesse provocar alguma mudança, visto estarem sob o terrível domínio babilônico.
Isaías se dirige aos que serviam como escravos oprimidos pelo medo da morte e sem esperança de sobreviver e voltar à sua terra, e afirma: “onde há espinheiros, haverá ciprestes; onde há mato bravo, nascerão murtas”, ou em outras palavras: “por piores que sejam as condições de vida, a Palavra de Deus realizará em vocês as Suas promessas”.
Ele fala de algo que todos conheciam: “assim como a água da chuva e a neve que caem do céu e para lá não voltam, sem que antes provoquem crescimento às plantações e produza frutos para o sustento dos homens, assim também acontece com a Palavra de Deus”.
Para o profeta a Palavra de Deus é gera: confiança, otimismo, esperança, direção para a vida, isto é, alimento.
Mesmo que onde você vive seja terrível – “espinheiro e mato bravo”, ou seja, ainda que tudo pareça ruim, mesmo assim confie, espere, acredite, mantenha sua fé na Palavra de Deus praticando-a, pois em algum momento ela produzirá os benefícios que promete, você verá “plantações para o sustento do mundo”.
Por isso, o apóstolo Paulo, diz: “os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de manifestar-se em vós” –Romanos 8.18 – leia Romanos 8.18-25.
Nossos dias são como o dia do nascimento de uma criança, que ao nascer causa dor, desconforto, sofrimento à mãe, porém, depois que nasce, a dor é esquecida e deixa a todos, felizes e alegres.
Para o Apóstolo – “temos em nós as primícias do Espírito” – vs. 23, isto é, você com a semente da Palavra de Deus pode transformar todo o mundo ao seu redor, mesmo “gemendo”, mas com “paciência”.
A Palavra de Deus, então, incumbe você de uma responsabilidade: viver segundo a presença do Espírito Santo, para que o mundo seja transformado. Você é chamado a transformar o mundo e, isto acontece à medida que o Espírito Santo, que você tem em nosso interior, age através de você.
O mundo pode ser melhor ou pior, dependendo de como você resolve viver. O que você faz de bom para os outros, reflete em todos.
A Parábola do Semeador nos fala daquilo que acontece com você e com o mundo, dependendo de como você acolhe e pratica a Palavra de Deus – Marcos 4.3-20.
Pode ocorrer nada: o mundo permanecer do mesmo modo como antes, pois as aves do céu comem a semente; que o mundo só tenha espinho e mato bravo, para todos morrerem de fome, que significa: violência, ódio, ansiedade e medo.
Pode a situação piorar: o entusiasmo leva as pessoas a acreditarem que tudo vai ser diferente, tudo vai melhorar como num passe de mágica, mas as provações chegam para que as pessoas se firmem e não desistem, mas o entusiasmo só deixa uma vaga lembrança, e como não deixa raízes para que fiquemos firmes apesar de tudo, o mundo piora mais, pois as provações geram angústia e escândalos, que significa: gente que acha que a Palavra de Deus não serve para nada, e podemos fazer de nossa vida o que quisermos.
Contudo, pode haver promoção de vida e bem-estar. Praticar a Palavra de Deus produz muitos frutos: de uma semente nasce 100, de outra, 60 e, de outra, 30, quer dizer, de você: “o espinho vira cipreste, e o mato dá espaço para a murta”.
Medite um pouco mais:
Lembre-se que você já foi um faminto de pão macio e
nutritivo, mas quando você se alimentou da
Palavra de Deus, ela saciou a sua fome.
Lembre-se que você tem o melhor alimento
a dar para os outros: amor e bondade.
Lembre-se que o poder sobre os outros
não alimenta, só estimula a continuarem em
seus maus caminhos, e a não deixarem os maus pensamentos,
porque os deixa com raiva e ódio.
Deus quer que você mostre aos outros a Sua grande misericórdia
e o Seu imenso perdão a todos os pecados.
Lembre-se que a maneira de Deus agir é muito
diferente da sua, e que você precisa aprender
a agir da maneira Dele.
Lembre-se que a Palavra de Deus produz
o fruto que Ele deseja e sempre traz
o resultado que determinou.
Lembre-se que a Palavra de Deus que você
carrega dentro de você é como a água da chuva e
como uma semente pronta para alterar a sua vida,
e a das pessoas que vivem com você.
Você, pela prática da Palavra de Deus pode fazer
as pessoas mais alegres, e viverem em paz,
porque ela faz você ser uma pessoa alegre, e em paz.
Você, pela Palavra de Deus pode encher
o mundo de música e de alimento,
porque ela inspira músicas e danças e fortalece a sua vida.
Você, pela Palavra de Deus pode arrancar
espinheiros, quer dizer, tornar a vida menos difícil e
mais enfeitada, porque se não fosse a Palavra de Deus
a sua vida seria muito embaraçosa, e deformada.
Você, pela Palavra de Deus pode cortar
mato bravo, quer dizer, fazer a vida produzir coisas boas,
e ser mais segura, porque se não fosse a Palavra de Deus
a sua vida seria infrutífera, e sujeita a ataques.
Lembre-se: este é o milagre que o mundo espera que aconteça, que a sua vida seja alterada pela Palavra de Deus,
e isto “trará glória ao nome do Senhor,
e será uma lembrança eterna do poder e amor de Deus”.
domingo, 26 de maio de 2013
Substâncias químicas e religião
A experiência com substâncias químicas que levam a um tipo de experiência religiosa me chama a atenção que se trata de uma abertura à dimensão espiritual, um meio de vivenciar a "função transcendente", conforme a psicologia analítica de C. G. Jung, mas que pode ser fruída sem nenhuma substância, pois esta pode levar a um contato com o absurdo, que é parecida com a do absoluto, com a qual devemos tomar cuidados, e não é necessária, ainda que pareça que nos leve a perceber a sua realidade.
O mais importante disso tudo é que tal "função" é algo interno, e não externo, não vem de fora para dentro, mas se quisermos que permaneça, precisamos vivenciá-la de dentro para fora.
Parece-me que se trata de uma experiência com a "psique" e da "psique", pois só através da alma é que podemos estabelecer que Deus age sobre nós, daí a conclusão de que passamos por alguma alteração em alguns de seus valores de vida.
Jung afirma: "Pode ocorrer facilmente que um cristão que acredita em todas as figuras sagradas seja ainda subdesenvolvido e imoto no mais profundo de sua alma porque ele tem 'Deus todo do lado de fora' e não o experienta na alma. Seus motivos decisivos, seus interesses e impulsos dominantes não vêm da esfera da cristandade, mas da psique inconsciente e subdesenvolvida, que é tão pagã e arcaica como sempre... Sua alma está fora de compasso com suas crenças externas... Sim, tudo deve ser encontrado fora - em imagem e em palavra, na Igreja e na Bíblia -, mas nunca dentro" (Psicologia e Alquimia, par. 11-12).
Para a religião institucionalizada é uma experiência reprovável, mas o mais importante é que se tratou de uma descoberta que, provavelmente, a Igreja não favorece, devido a manutenção de um casulo vazio, de onde, há muito tempo, a "borboleta" já saiu.
Talvez pela primeira vez,percebamos que a relação com Deus é subjetiva e pessoal, e para que esta provoque as alterações que sentimos como necessidades em nossa história pessoal não precisa ser intermediada por nada, nem pela religião institucional, nem também por alguma substância química.
Não é fácil manter esta experiência pessoal à salvo da força dogmática presente no âmbito religioso, e também, acadêmico. É necessário um esforço moral na sua preservação e cultivo, pois se trata de uma "descoberta" de que Deus é imanente, e encarnado em nossa natureza, e não "Totalmente Outro" como afirmam as religiões.
"Jung concluiu que Deus age fora do inconsciente e força os seres humanos a harmonizar as influências opostas às quais a mente é exposta pelo inconsciente. O inconsciente quer cair na consciência para alcançar a luz. E ele afirmou que, buscando a unidade, podemos sempre contar com a ajuda de Deus" (Dyer, D. R. Pensamentos de Jung sobre Deus. p. 70).
Esta opinião de Dyer é muito importante: Deus nos ajuda a conciliar inconsciente e consciência, pois só assim podemos perceber que Deus está dentro de nós, e nunca esteve fora, ou como afirma Jung: 'Deus se torna manifesto no ato humano da reflexão".
Por isso, e muito mais, fique em paz, transforme o acontecimento de ter experimentado o chá em experiência de vida que pode levá-la a uma necessária transformação de valores, que só você sabe que verdadeira e realmente, precisa.
domingo, 21 de abril de 2013
O amor é o melhor substituto da hostilidade
Atos 14 – A atmosfera
hostil vivenciada pelos primeiros cristãos não foi motivo para desistirem, nem
desanimarem. Antes, eles se fortaleciam e se encorajavam mutuamente.
Qual o segredo deles? O que fazia deles cristãos fortes, unidos e
corajosos, apesar de tantas dificuldades?
1. A consciência
de que Deus os dirigia – Sl. 145.9, 14 e Ap. 21.3: “O Senhor é bom para todos”;
“O Senhor sustém os que vacilam e apruma todos os prostrados”; “Eis o
tabernáculo de Deus com os homens. Deus habita com eles. Eles serão povos de
Deus e Deus mesmo estará com eles”.
2. A mão de Deus
nos guia e é Ele quem realiza todas as coisas em nós – Sl. 145.10, 11; Ap.
21.5: “Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos
filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da
majestade do teu reino”; “Eis que faço novas todas as coisas”.
3. A porta está
aberta a todos – Sl. 145.4, 6, 7; Ap. 21.4: “Uma geração anunciará os teus
poderosos feitos a outra geração”; “Falar-se-á do poder dos teus feitos
tremendos”; “divulgarão a memória da tua muita bondade”; “Deus lhes enxuga dos
olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto,
nem dor, porque as primeiras coisas passaram”
4. Eles tinham
uma mensagem: “mostrar a todos que através de muitas tribulações, nos importa
entrar no Reino de Deus” – At. 14.22
João 13.31 – nos conta que
o próprio Jesus não desistiu nem desanimou de enfrentar as tribulações, antes
Ele se manteve firme em Sua missão, porque trazia consigo o Reino de Deus, e
este valia mais que suas próprias vidas, apesar de todas as adversidades.
Ele, também, tinha a consciência de que Deus O dirigia; a mão de Deus O
guiava e era Ele quem realiza todas as coisas através dEle; que a porta está
aberta a todos; e tinha uma mensagem: “assim como eu vos amei, amem uns aos
outros. Nisto conhecerão, todos, que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns
aos outros”
Os feitos do Senhor devem ser nossa maior atenção;
A memória da Sua muita bondade é a nossa força;
E, ainda que vacilemos Ele nos sustenta, ainda que fiquemos prostrados,
Ele nos apruma, nos põe de pé.
Quantas vezes já passamos por isso? Mas, temos que passar para outras
pessoas esta experiência. Se não passamos é porque talvez estejamos
insatisfeitos com o que Ele nos faz.
A hostilidade não é impedimento para nos amarmos.
O amor é o melhor substituto da hostilidade.
A cada dia que passa aumenta a “tentação de manter contato imediato e
ininterrupto com a vida lá fora, para saber notícias de todos os cantos. (...)
(é) sempre mais importante o lugar onde não se está. (...) dificuldade de as
pessoas viverem a solidão, o recolhimento (...)”
“Os meios de comunicação estão a penetrar cada instante da vida, passando a ser
difícil se manter alheio ao que sucede naquele instante nos recantos da Terra
ou no círculo de amigos. A comunicação contínua transforma cada qual em
consumidor viciado de informações, passivamente dominado pela necessidade
premente de receber e enviar mensagens, de falar ao celular, de visualizar enquanto
almoça ou janta o écran da televisão (...) Brota a sofreguidão pelo recém
ocorrido, de que se é inteirado de imediato, sem espaço para reflexão ou a
dúvida”.
“A consequência está na perda da individualidade diante do predomínio do
coletivo graças à massificação da informação contínua, que formata sem juízos
críticos uma mentalidade única, com distinções apenas tênues. A avassaladora
prevalência do coletivo, no entanto, não proporciona o espírito comunitário, a
solidariedade entre os homens, cada vez mais exclusivistas. Curiosamente, surge
um individualismo sem individualidade: as pessoas restam sem identidade”.
“A existência transcorre sem se formularem juízos de valor, sem imaginação,
pois predominam o que se vê e os juízos de fato, por se afastar a construção de
hipóteses. (...) substitui-se a qualidade das experiências pela quantidade das
experiências”.
“Passa-se, então, a fazer parte da opinião púbica, que não consiste na opinião
de todos nem da maioria, mas a opinião construída pela mídia, especialmente
rádio e televisão, que seleciona as matérias a serem veiculadas e, o mais
importante, escolha a forma como elas serão veiculadas. Decidem os editores a
tonalidade e os acentos a serem dados à notícia, sempre em busca do que efetivamente
conta: o aumento da audiência”.
“Formata-se, dessa maneira, um consenso artificial, uma opinião coletiva
recepcionada sem questionamentos e sem avaliações. Imperceptivelmente, as
pessoas são cada vez mais escravas dos meios de comunicação, ainda por cima com
a internet, pois precisam deles, se alimentam deles, sentem-se órfãs ao estarem
desconectadas. Vive-se com a mídia e pela mídia. Viver é estar plugado”.
“(...) a nova cultura é a cultura da virtualidade real, em que predomina a
televisão, esse meio frio de comunicação que se dirige a uma audiência
preguiçosa, a um telespectador presidido pela lei do mínimo esforço, sem
resistências em face do que lhe é transmitido. A televisão, devendo alcançar e
satisfazer o maior número de pessoas, faz na programação um corte por baixo e
define um raso denominador comum. Dessa maneira, ao buscar entreter, vale criar
alarma, emocionar, estimular os aspecto sensoriais, facilmente apreensíveis, e
apenas com raras exceções valorizar o senso crítico, a imaginação e a
reflexão”.
“Dá-se a mundialização dos costumes ao se uniformizarem comportamentos
difundidos pelos meios de comunicação, do rádio à internet, em vista do que se
enfraquecem a influência e a importância dos emissores seculares de valores e
de ideais como a religião e as ideologias políticas”.
“Cabe uma revolta do homem contra os dominadores insidiosos, para impedir a
invasão constante de nossos domínios de exclusividade”.
“Defensores da imaginação silenciosa, uni-vos”.
(Texto
de Miguel Reale Júnior – Advogado, professor titular da Faculdade de Direito da
USP, membro da Academia Paulista de Letras. Foi ministro da Justiça. Artigo:
Haydin ou BlackBerry – Jornal O Estado de São Paulo, 01.05.2010, A-2).
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Vale sofrer por Cristo
“Se regozijaram
por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” – At. 5.41
Os primeiros cristãos eram admirados pelos seus contemporâneos porque
eram capazes de obedecer a Deus até às últimas consequências.
Eles obedeciam por que:
Valorizavam sua história religiosa: “O Deus de nossos pais” – eles se
valiam da sua herança espiritual.
A história para eles era importante, pois indicava-lhes que não estavam
seguindo uma novidade, mas algo que já fazia parte do seu repertório de vida.
Em Romanos 9.4-5 – Paulo nos chama a atenção para a grande riqueza
espiritual, que a Igreja recebeu do judaísmo, e que agora faz parte do grande
acervo da vida cristã: “Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças,
a legislação, o culto e as promessas, deles são os patriarcas, e também deles
descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo
o sempre. Amém!”
Estes cristãos reconheciam que estavam diante do novo e suas vidas se
abriram e tiveram que se encaixar ao novo: “O Deus de nossos pais, ressuscitou
a Jesus”.
Não existia pensamento mais revolucionário, até então.
O mesmo Deus que indicava Sua verdade de maneira simbólica, agora a
cumpre literalmente, de modo a não deixar dúvidas em seus corações, pois eles
haviam visto com os olhos e apalparam com as mãos e O reconheceram, isto é, não
se tratava de uma miragem, mas lhes era real.
“O Deus de nossos pais, ressuscitou a Jesus” – era a vivificação da fé
antiga que durante milhares de anos, animou o coração de todos os judeus. Nada
podia ser comparado a esta mensagem que anunciavam.
“O Deus de nossos pais, ressuscitou a Jesus” – esta era a mensagem que
dava vida nova àqueles primeiros cristãos, a ponto deles não medirem esforços
para servirem a este Deus, que era o mesmo, que já conheciam.
Ainda que fossem açoitados e recebessem ordem para não viverem esta
experiência de fé, para eles era motivo mais que suficiente para se
regozijarem, porque os açoites davam a eles a certeza de serem filhos de Deus e
isto aumentava sua autoestima: “regozijavam por terem sido considerados dignos
de sofrer por esse Nome”.
Considerar-se digno de sofrer – é não desistir, nem desanimar, diante
das dificuldades, por ser mais importante obedecer a Deus do que aos homens.
Quando resolvemos obedecer a Deus, logo enfrentamos dificuldades:
em pessoas, que
se opõem ao nosso estilo de vida, de servir a Cristo, em tudo;
ao enfrentar
tendências pessoais próprias do ego que não quer abrir mão de certos padrões de
comportamento, ou de pensamento, porque nos dão certo conforto, e assim achamos
que estamos evitando sofrer.
Nos acostumamos tanto a sermos como estamos que achamos que em nada
podemos, nem precisamos alterar em nossa vida.
E, então, sofrer afrontas pelo Nome de Jesus é deixado para os mais
religiosos, para aqueles que querem levar a vida religiosa mais profunda, e
assim nos esquecemos que cada cristão é chamado para sofrer.
Jesus diz: “Quem quiser ser meu discípulo, todos os dias, tome a sua
cruz, negue-se a si mesmo, e viva como Eu vivi”.
O discípulo verdadeiro não desiste e não se desanima, antes, ao
contrário, as dificuldades que têm para tomar a cruz, que é carregar o peso do
egoísmo e de confrontar-se com todos aqueles que tentam impedir que agrade a
Deus que o ama, são compreendidos como motivos que o faz digno de sofrer pelo
nome do seu Salvador.
Em que nos vemos dignos? Isto é, em que temos motivos para nos alegrar e
regozijar? Qual deve ser o nosso prêmio como cristãos?
Em Mateus 5.11-12 – encontramos palavras que nos falam de que podemos
ser repreendidos por sermos cristãos, quer dizer por vivermos como pessoas
espirituais, isto é, quando vivenciamos mais os valores interiores da presença
de Deus em nossa alma, do que quando agirmos como “velhos homens”, isto é,
quando vivenciamos as práticas mais baixas da nossa natureza humana.
Podemos nos regozijar bastante, quando somos afrontados, porque isto é
sinal de que somos dignos para sofrer o mesmo que nosso Senhor sofreu.
O salmista registra no Salmo 30.5 – que ele era digno de sofrer
afrontas, pois estas duram apenas um momento, enquanto que a alegria,
interpretada, por ele, como o favor do Senhor, “o Seu favor dura a vida
inteira”.
Na linguagem poética, o salmista expressa que “ao anoitecer, o choro
pode chegar para passar uma noite”, quer dizer, o choro, as afrontas e as
dificuldades, nós as temos para passarmos por elas, durante um período, mas
assim que o sol se levanta, elas terminam, o choro cessa, por mais doloroso que
ele seja.
Assim, Jesus levou a Pedro a considerar-se digno de sofrer pelo Seu Nome
- João 21. 15-17 – sofrer afrontas por Jesus é sinal de amor.
É como se Jesus dissesse: “Pedro, você demonstra que me ama de verdade,
quando você não desiste de me seguir, como você fez quando me negou diante dos
homens. Pedro me amar é me seguir até o fim, sem desanimar. E quem faz assim,
pode se considerar digno de sofrer, por Mim”.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Páscoa
Um dos discípulos não acredita no que vê. Seus
olhos só enxergavam os lençóis e o lenço que havia sido colocado sobre a cabeça
de Jesus.
Porém, o outro discípulo, “viu e creu” – João 20.8.
Duas atitudes sobre um mesmo fato.
Todavia, o texto de Atos 10.34-43, nos indica que é
possível mudar de opinião – o apóstolo Pedro que não havia acreditado que Jesus
havia ressuscitado, naquela manhã, passa a anunciar: “a este ressuscitou Deus
no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto” vs. 40. Pedro anuncia que era
uma das testemunhas da ressurreição de Jesus, ao romano Cornélio, apresentado
como “homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação
judaica” – vs. 22, como que querendo dizer, que se Cornélio estivesse junto ao
túmulo vazio, naquela manhã de domingo, ele creria, assim como João, o “outro
discípulo” – João 20.4,5.
A vida de Pedro, realmente, foi transformada depois
que creu.
O texto nos deixa a entender que aquele que crê
passa logo a comunicar a fé, para todas as pessoas, indiscriminada e
livremente, pois “reconhece, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas
(...) por meio do nome de Jesus, todo aquele que nele crê recebe remissão de
pecados” – Atos 10.34.
De fato, a transformação na vida de Pedro foi muito
grande!
Anuncia a um romano que Deus tem a mesma disposição
que teve para com ele – se Deus perdoa os pecados de todo aquele que crê em
Jesus, mesmo daquele que não acreditou de imediato, apesar de ver os sinais da
Sua ausência, também, de um romano que creu nAquele que “andou por toda parte,
fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” – vs. 38; e, isto sendo
anunciado pelo judeu Pedro, demonstra o quanto sua visão de vida sofrera
transformação.
Pedro poderia ter levado Cornélio a se sentir
culpado pela crucificação de Jesus, pois como centurião romano obedecia a
ordens do governador de Roma que reinava em Israel, e que teve participação
direta no julgamento e condenação de Jesus à morte.
No entanto, Pedro apela a Cornélio que considerasse
que Jesus fora “pendurado no madeiro”, porque andou por toda a parte fazendo o
bem.
Pedro levou Cornélio a enxergar os sinais de Jesus,
assim como vira os lençóis e o lenço no sepulcro, e não havia se lembrado do
bem que Jesus havia feito, e que tantas vezes ele havia presenciado.
A ressurreição de Jesus transformou o judeu Pedro,
o que o levou a aprender a fazer o bem ao romano Cornélio, deixando de lado o
seu orgulho, o seu egoísmo, o seu sentimento de se ver grande e melhor do que
os outros.
Fazer o bem aos outros, é sinal de que acreditamos
no Jesus que não está no túmulo.
Afinal, é esta a mensagem de Paulo aos coríntios –
I Coríntios 5.6-8 – “Não é boa a vossa jactância” – Paulo vê que a arrogância é
o grande empecilho para celebrar a festa da Páscoa.
O Apóstolo Paulo compara a arrogância ao fermento,
que por mínima quantidade que seja, pode fazer com que a pessoa se sinta tão
superior aos demais que não percebe que não é ela que se justifica dos seus
pecados, mas sim “Cristo, nosso Cordeiro Pascal, imolado” – vs. 7.
E, ensina a “lançar fora (...) o fermento da
maldade e da malícia”, antes “celebremos a festa com os asmos da sinceridade e
da verdade” – vs. 8.
Os “asmos da sinceridade e da verdade” precisam
comidos por nós mesmos, quer dizer, sermos sinceros e verdadeiros para conosco
mesmos, para percebermos o quanto somos tão imperfeitos quanto aqueles que
julgamos e condenamos.
Só quem é sincero e verdadeiro consigo mesmo, sabe
o quanto é importante fazer o bem aos outros, e principalmente àqueles
considerados inferiores aos seus olhos, porém, para Deus não é diferente,
antes, recebe dEle o mesmo amor e perdão, pois do contrário não poderíamos crer
nEle.
O texto de João 20.1.9 nos apresenta pessoas que se
formos arrogantes, facilmente as consideramos inferiores a nós: Maria Madalena
prostituta convertida, Pedro um iletrado, João um pescador.
Os três são apontados pelo texto bíblico como
“ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele
dentre os mortos” – vs. 9.
Maria Madalena, diante do túmulo aberto, disse:
“Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram”;
Pedro e João correram juntos, e diante do mesmo
cenário, têm reações tão diferentes: um vê e crê, o outro só vê, e procura
entender, mas não entende, e os dois voltam para casa, e Madalena “permanece
junto à entrada do túmulo, chorando. Viu Jesus em pé, mas não reconheceu que
era Jesus, suponha ser Ele o jardineiro” – vs. 10, 11, 14, 15.
Dá para ver o quanto somos parecidos com eles?
Perguntemo-nos: considerando as grosseiras e
públicas fraquezas de Maria Madalena, Pedro e João, teriam eles chances de
ganharem a nossa aproximação, e amizade?
Espero que sim, pois compartilhamos da mesma
natureza humana deles; e se eles podem, eu também posso, e você também pode se
aproximar e ser amigo de quem quer que seja.
A pressa de compreender as coisas nos prejudica.
Queremos que tudo seja explicado - não toleramos
dúvidas, porque temos medo de nos sentir inferiores aos outros.
Quanta preocupação com as certezas, só para nos
sentirmos melhor que os outros!
Como pode o “conhecimento” nos deixar tão cheio de
nós mesmos! E, onde fica: “Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em
qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável”?
Quem deve julgar se o que é feito pelos outros é
justo ou não, aceitável ou não, é Deus, pois Ele é o único que pode julgar!
Quem somos nós para julgar?
A nós nos cabe comer o pão da sinceridade e da
verdade conosco mesmos.
Maria Madalena, Pedro e João, se alimentavam deste
pão, principalmente depois de terem se convertido ao Senhor.
E, você, tem comido deste pão?
Lembre-se de se alimentar do “Cordeiro Pascal” –
Jesus morreu para que os seus pecados fossem perdoados, e para que os pecados
dos outros, também fossem perdoados.
O “Cordeiro Pascal” é alimento para todas as
pessoas, que se veem necessitadas do perdão de Deus, porque se percebem
imperfeitas, grosseiras, baixas, incapazes de acertar sempre.
“Celebremos a festa não com o velho fermento, nem
com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da
verdade” – I Coríntios 5.8.
Aprofundemos ainda mais o sentido destas palavras:
Não estariam elas nos desafiando a passar diariamente pela experiência da
Ressurreição?
“Celebrar a festa não com o velho fermento”,
significa, diariamente, transformar
a falta de educação em ternura, a insatisfação em contentamento, a mentira em
verdade, a dissimulação em honestidade, a maldade em caridade, a opressão em
liberdade, a indiferença em solidariedade.
“Celebrar a festa não com o fermento da maldade e da malícia”, significa
que diariamente precisamos transformar a nossa sede por recompensas em reflexão,
de cinismo em vergonha, de perseguições em acolhimento, de exploração em
amizade, de moralismos em tolerância, de preconceito em convivência, de
discriminação em intercessão, de maledicência em bem-dizer.
“Celebrar a festa não com o velho fermento”, também significa se
empenhar de fazer da melancolia, prazer; da inveja, alegria; da morbidez,
beleza; daquilo que é trágico, em utopias; das perdas, conquistas; da altivez,
humildade; da arrogância, simplicidade; da ambição, igualdade; do consumismo,
sentido de vida; das exigências aos outros, autocrítica.
“Celebrar a festa com os asmos da sinceridade e da verdade”, significa,
entre outras coisas: transformar ocupação em lazer, extinção em preservação,
traição em diálogo, reducionismo em memorial, imediatismo em paciência,
iconografia em história, grotesco em cordialidade, fundamentalismos em
diversidades, sensacionalismo em conteúdo, midiático em bom-senso, corrupção em
temor, desigualdade em fraternidade, intolerância em paz, autoajuda em
sabedoria, técnica em proximidade, esoterismo em espiritualidade, enganos em
acertos, isolamento em pertencimento, ter em ser, descartável em permanência,
alienação em consciência, banalização em valores, magia em espera, igreja em
religião/espiritualidade, relativismo em padrão ético, morte em vida.
“Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de
fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado.” –
I Coríntios 5.7 – Nisto está o sentido da Páscoa experimentado por Pedro,
Cornélio, Paulo, Maria Madalena, João, os coríntios – eles se transformaram em
“nova massa”.
Oxalá, eu e você, também!
Boa Páscoa!
sábado, 9 de março de 2013
O êxodo do Egito e o Filho pródigo: mais que semelhanças
Lucas 15.1-3, 11-32 – nos conta a Parábola do Pai que gastou todo seu amor ao filho que
retornou à sua casa; mas, pode ser entendida como uma ilustração do povo de
Israel que saiu do Egito e chegou à terra da Canaã.
1. O filho em
terra distante, na qual padeceu fome e sofreu necessidades – vs. 13-14, ilustra
o povo de Israel que no Egito passou por grandes necessidades;
2. Na terra
distante, um dos cidadãos daquela terra, mandou o rapaz, guardar os porcos –
trabalho humilhante, realizado apenas por escravos – vs. 15, isto é muito
semelhante à vergonha ultrajante da escravidão que Israel sofreu no Egito;
3. Aquele filho
não recebeu nada dos habitantes da terra, ilustra muito bem o tratamento
recebido por Israel, durante os 400 anos que vivera no Egito;
4. Sua oração –
vs. 17-19, ilustra o clamor dos filhos de Israel, que gemiam e clamavam devido
ao sofrimento;
5. No vs. 20, diz
que o moço levantou-se e foi para seu pai, representa a imagem da saída do povo
do Egito e seu retorno à terra de Canaã;
6. O vs. 20 ainda
nos diz: “Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele,
correndo o abraçou, e beijou” – é como se Jesus se referisse às atitudes
tomadas por Deus ao libertar o Seu povo do Egito, levando-o à terra que mana
leite e mel, que simboliza o seu abraço e beijo, seu cuidado amoroso, atendendo
cada uma das suas necessidades;
7. Os vs. 22-24,
faz referência ao Pai que providenciou ao filho - “a melhor roupa, pôs em seu
dedo um anel e calçou-o com sandálias, mandou matar o novilho cevado e o
comeram e, regozijaram-se porque seu filho que estava morto, reviveu, que
estava perdido, foi achado”, ilustrando ao que lemos em Josué 5.9 – “Hoje,
removi de vós o opróbrio do Egito”. Assim como fez o pai ao seu filho, Deus
também pôs fim às necessidades do povo de Israel: de escravos passaram a ter
uma condição digna de vida; de humilhados passaram a ser o centro de todas as
atenções – o povo-filho foi resgatado.
O novilho cevado
que o filho comeu naquele dia em companhia do pai foi a páscoa que os filhos de
Israel comeram quando saíram do Egito. E, o regozijo do pai pelo retorno à sua
casa do seu filho mais novo, ilustra bastante bem, que depois que os filhos de
Israel chegaram à sua terra de Canaã, comeram lá das suas novidades;
8. Mas, e o filho
mais velho, que estivera no campo e ao aproximar-se da casa, ouviu a música e
as danças, e ficou indignado e não quis entrar, além de responder ao pai, que
ele sim, o servia a tantos anos sem jamais ter desobedecido uma ordem sequer,
enquanto que ele estava desperdiçando seus bens com alguém, seu irmão, que não
merecia nada, é semelhante a quê? – vs. 25-30.
1. Se refere às
nossas atitudes, pois apesar de Deus ter feito tudo por nós, ainda assim
vivemos como se estivéssemos no Egito;
2. Ilustra nossa
atitude, de apesar sabermos que Deus ouve nossos clamores, ainda assim não
clamamos por Ele;
3. Fala a
respeito de nossa atitude, que apesar de Deus tomar as providências, às vezes
as mais espantosas, para nos livrar de nossas necessidades, ainda assim achamos
que é pouco e, que mereceríamos que Ele fizesse algo maior do que tem feito, só
porque somos nós, enquanto que para os outros, Deus é melhor do que para nós;
4. Se refere à
nossa atitude, de permanecermos no lugar que estamos, e de não querermos nos
levantar e ir ao encontro do Pai, e assim mesmo, querendo que aconteça um
êxodo, uma mudança de vida, porém desde que tudo continue da mesma maneira,
porque nos acostumamos ou nos adaptamos tanto ao estado que nos encontramos que
não queremos voltar ao Pai, porque para o êxodo acontecer, temos de mudar
interiormente, e qualquer mudança interior a entendemos como desconfortável,
que segundo a parábola trata-se do “cair em si”. E, nos recusamos a “cair em
si”, e ficamos indiferentes à nossa situação espiritual ainda que continuemos
gemendo e gritando de fome;
5. Ilustra,
ainda, nossa atitude para com o próprio Deus, que mesmo tendo apressadamente
tomado todas as providências, e todos os dias se compadece de nós, corre ao
nosso encontro, abraça-nos e beija-nos, e ainda assim, O desprezamos, achando
que merecíamos muito mais; que o que Ele faz é muito pouco, então, por que dar
tudo para um Deus que faz tão pouco?;
6. Fala a
respeito de nossa atitude quando não percebemos que o maná, que era o alimento
provisório, é substituído pelas novidades da terra de Canaã, isto é, vivemos
como se as coisas antigas ainda não tivessem passado, que Deus continua nos
tratando segundo nossas transgressões, e não segundo a reconciliação que
resolveu fazer conosco, nos tratar como filhos, não mais como escravos. Isto
significa que, às vezes, nos relacionamos com Deus mais por medo que por amor,
ao invés de gozarmos plenamente a liberdade de leis, regras e preceitos, que
nos massacram e tiram nossa alegria, porque nos impõe medo e pavor;
7. Se refere à
nossa ingratidão para com Deus que nos ama mesmo quando não cumprimos Suas
ordens, pois Ele não estabelece condição alguma para nos amar, ao contrário,
nós sim que estabelecemos condições para Ele nos amar;
8. Contudo, a
parábola nos propõe que nos identifiquemos com o filho mais novo, pois nós
também somos como ele:
1. Assim como
ele, precisamos aprender que as situações que nos fazem sofrer e gemer são
precisamente aquelas que nós mesmos criamos, devido às nossas fraquezas, pois
carregamos em nós o “cidadão que nos manda guardar seus porcos”, e isto significa
que precisamos nos conscientizar que não passam de “porcos” as fraquezas que
nos humilham, mas que precisam de nossa atenção e cuidado, pois se
negligenciarmos nossas fraquezas, nós morremos;
2. Apesar de ser
muito humilhante assumirmos que temos “fraquezas”, é melhor assumirmos esta
condição, e apresentarmos cada uma delas, em clamor e gritos Àquele que segundo
o Salmo 34:
livra-nos de
todos os nossos temores – vs. 4;
ouve nosso clamor
aflito e nos livra das tribulações – vs. 6, 17;
tem Seus olhos
voltados para nós e ouvidos estão abertos ao nosso clamor – vs. 15;
mesmo que as
aflições sejam muitas, de todas Ele nos livra – vs. 19;
nosso Deus nos
resgata nossa alma – vs. 21;
3. O filho mais
novo viveu intensamente as palavras do Apóstolo Paulo – II Coríntios 5.17-21 –
ao voltar à casa do pai ele se reconciliou com seu pai, isto é, ele
experimentou uma alteração interior, já não era mais aquele que havia saído de
casa, passou a ser uma nova pessoa por dentro, “se alguém está em Cristo, é
nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”;
4. Por tudo que
passamos: sendo escravos do egoísmo, tão cheios de nós mesmos, temos de sentir
que precisamos experimentar uma mudança por dentro, para comermos as novidades
da terra de Canaã, da festa do Pai;
5. Precisamos
saber que enquanto permanecermos em nossa própria miséria, além de passarmos
fome, não há alguém que possa nos dar alguma coisa. Ou seja, se não tomarmos
uma atitude por nossa própria conta, ninguém fará por nós. Por melhores que
sejam nossos amigos, familiares, ou qualquer recurso que possamos ter:
dinheiro, prestígio, moral, sucesso, bens, confissão religiosa, etc, mas, se
não tivermos vontade para sairmos da situação que nos encontramos, escravizados
pelas nossas fraquezas, nada virá ao nosso encontro. Temos que “cair em nós
mesmos”, isto é, refletirmos, considerarmos sincera e seriamente nossa real
condição, e com vontade clamarmos a Deus que vem ao nosso encontro correndo,
com paciência, e nos recebe de braços abertos e quer nos beijar, porque nossa
estrutura é pó;
6. A mudança
interior que precisamos que aconteça em nós é nos entregarmos aos abraços e aos
beijos do Pai, isto é, vivermos plenamente a liberdade para a qual o Senhor nos
chamou. A liberdade não substitui a obediência, ao contrário, a liberdade para
a qual o Senhor nos chama a vivermos diariamente é para justamente não mais
ficarmos cultivando o pensamento dominado pelas nossas fraquezas, mas
confiarmos ao Seu amor, caso caiamos em nossas fraquezas;
7. A liberdade
não é para fazer com que o escravo faça o que bem entende, mas sim que pelo
cuidado amoroso que o Senhor dispensa a nós, nós O amemos, nos relacionemos com
Ele como filhos;
8. O filho não é
escravo. O escravo teme o seu senhor, o filho procura imitar o pai. O escravo
espera receber alguma coisa do seu senhor, o filho desfruta dos bens do pai,
porque é tudo dele. O escravo cumpre ordens, o filho se alegra com a presença
do pai que lhe diz: “Meu filho, tu sempre estás comigo”. O escravo sabe que
nunca será filho, o filho vive tranquilo e por isso pode se alegrar porque
ainda que saia de casa, ao voltar, continua filho, não perde jamais esta
condição e, portanto, mesmo sabendo disso, não deseja isso para sua vida,
porque seu pai é sua alegria e regozijo, nada pode substituir o abraço e o
beijo do pai;
9. Você é uma
“nova criatura”, isto é, você tem uma nova vida por dentro, quando você se
relaciona com o Pai, com liberdade e amor e não com temor e insegurança que nos
leva a querermos barganhar o seu amor, que nos dá com liberalidade incondicional.
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